Sábado, 1 de Novembro de 2008

ROUXINÓIS NA “BOÉMIA”

 
 
“Brasão de armas do antigo reino da Boémia na actual Rep. Checa”
http://pt.pandapedia.com/wiki/Bo%C3%A9mia
 
ROUXINÓIS NA “BOÉMIA”
 
Hoje, passei p’ra lá daquela serra,
Lá onde as gaivotas beijam a terra
E nos trazem os recados do mar,
Porque seus murmúrios quis escutar;
E as gaivotas me trouxeram por paga,
As novas, de um bando de rouxinóis
Que voaram alto, prós céus de Praga,
P’ra lá dos lás, e dos fás, e dos sois;
E em bosques boémios, fora de horas
Afrontaram outras aves canoras.
 
E eu aqui, quase a morrer de inveja,
Claro que, entre aspas, e salvo seja!
Ou, sem salvo seja nem reticências
Era inveja sim! Mas sem consequências!
Voar, voar, era tudo o que queria,
E cantar, e cantar ainda mais,
E beber a jorros, mas de alegria,
E sonhar, com tesouros de cristais;
E afrontar em desafios depois,
Outras aves, que não os rouxinóis.
 
O eco, que de Milevsko, se ouvia,
Eram saraus em coro, e harmonia.
Percorriam os ares, como hinos,
E como nos céus de Praga, os sinos;
Também as vossas vozes ressoavam…
E eu, privado de estar ao vosso lado,
Pude sentir o trinar que entoavam,
De Almeirim, as saudades do seu fado;
Quando em bosques boémios fora de horas,
Se afrontavam outras aves canoras.
João Chamiço
2007-10-06
 
Este poema começou por ser uma mensagem de SMS para aos colegas Coralistas que se encontravam em digressão pela República Checa a convite do Coral da cidade de Milevsko, situada geograficamente na Boémia meridional.
http://ods.milevsko.sweb.cz/

 

publicado por João Chamiço às 18:08
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3 comentários:
De M.Luísa Adães a 2 de Novembro de 2008 às 12:09
João

O poema está lindo! FALAS DAS GAIVOTAS, DE TANTAS COISA BELAS!
Ao lembrar o mar te digo:

Naquela hora
Em que tu adoemeces,
Tudo se cala.

O vento pára...
Num milagre de Amor

Respeita o teu adormecer...

Apenas as cigarras
Irreverentes,

Cantam, cantam,
Sem cessar.

De: Arrábida, Serra, Mar e Vento
M. Luísa Adães

Parabéns pelo teu canto!

Beijos,

Maria Luísa
De João Chamiço a 22 de Novembro de 2008 às 19:35
Quando uma Serra como a da Arrábida se debruça assim sobre o mar azul, um pequeno ser como eu fica sem inspiração para dizer seja o que for. Apetece percrutar o horizonte até ao limite da linha imaginária onde a Terra acba. Embrenhamo-nos em sonhos jamais imaginados e a escrita brota como que escorrendo de uma fonte cristalina.

Bom domingo.
Bjs
De M.Luísa Adães a 23 de Novembro de 2008 às 11:27
João

"se a terra acaba e o mar começa" damos voltas sobre voltas e retomamos ao inicio - sempre e sempre - não paramos!

"A Arrábida não é deste mundo.
Depois dos cabreiros, é dos eremitas e dos poetas". Vitorino Nemésio

Obrigada por responderes.

Beijos,

Maria luísa

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