Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

O SALINEIRO

                                                                      O Salineiro

 

 
 
 
 
Cada destino já traz os seus planos,
De alguns enganos, a vida talhada.
É como o salineiro que há mil anos
Traz às costas uma herança salgada.
 
Seu rosto é feito de sal e suor
E carrega aos ombros cada verão,
De águas de sal-gema de Rio Maior
Que em poços nascem filões de ilusão.
 
O salineiro vem na primavera
Como quem responde a um clamor
Que assim, lhe há-de alimentar a quimera!.
 
P’ró ano voltará ao seu labor,
Em novas esperanças e enganos
Carregando às costas outros mil anos.
 
 
A vós salineiros de Rio Maior e à vossa arte milenar, dedico este singelo soneto que nada vale comparado com todo o vosso saber e simpatia.
Muito sinceramente reconhecido pela forma espontânea e calorosa como receberam o Orfeão de Almeirim na terça-feira dia 29 de Abril de 2003 que, conjuntamente com o grupo Vocal Coloquinte da Bretanha, França, se deslocaram ao vosso local de trabalho. Grato também por todas as pormenorizadas explicações que nos prestaram.
As salinas de Rio Maior são alimentadas por uma mina de sal-gema muito extensa e profunda que, ao ser atravessada por uma corrente subterrânea alimenta um poço onde a água nasce sete vezes mais salgada que no Oceano Atlântico.
Esta exploração de sal conta com pelo menos oito séculos de história. Com efeito, há oitocentos anos, em 1177, Pero D'Aragão e a sua mulher Sancha Soares venderam à Ordem dos Templários a quinta parte que tinham no poço e Salina, conforme diz Pinho Leal no "Portugal Antigo e Moderno", 8° volume (1876), citando o documento comprovativo dessa venda.
É aliás o mais antigo documento conhecido, que se refere a Rio Maior. Certamente que através de séculos, a exploração das Salinas se fez por processos iguais aos de há poucos anos, quando a água salgada era tirada por meio de duas picotas (introduzidas na Península Ibérica pelos Árabes). Mas, consta que, antes da Reconquista cristã, os Romanos e depois os Árabes, já as exploravam em larga escala. Nestas épocas recuadas o sal era uma substância muito importante no comércio entre os povos e alguns utilizavam-no até para pagamento de jornas, daí a palavra salário...
 
João Chamiço

 

publicado por João Chamiço às 23:48
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